Pessoal,
Um anônimo(a) colocou o comentário abaixo, o Social gostou e está divulgando, aguardamos opiniões.
Abs
Procura-se um bar...
Que tenha sempre nosso drink favorito,
que nos será veementemente negado
sempre que o Bar man estiver inspirado.
Cujos Garçons sejam conhecidos pelo nome,
e ao menos um se chame Zé.
Não por redução ou simplificação vulgar,
mas para estabelecer a necessária intimidade
Entre nós e Ele.
Garçons, aliás, e Garçonetes (sobretudo!)
que no devido tempo nos chamarão pelo nome,
e que terão sempre,
(mesmo nas noites mais cheias),
uma mesa à nossa espera.
De onde as Raparigas em Flor não sejam espantadas
por nossas barrigas murchas,
e cuja beleza seja vaga... imprecisa...
Pois Proust nos lembra
que as mulheres excessivamente belas
destinam-se aos homens sem imaginação.
Raparigas cuja faixa etária não seja inferior a 23 ou 24 anos,
salvo raríssimas (e honrosas) exceções,
pelas quais não hesitaremos em esconjurar o próprio nome Deus,
e invocar o tremunhão!
Que tenha uma atendente de generosos hemisférios
ao setentrião e ao sul do equador.
E que seu andar seja como que um protesto
contra a anorexia vigente no globo,
ensinando às magrelas sem alma
que neste território as gordinhas têm vez.
Cujas empadinhas sejam recheadas exclusivamente
de galináceas honrosamente sacrificadas
(exceção seja feita à solitária azeitona...) e que,
ao comê-las, estejamos selando um pacto
pela erradicação do palmito sobre a terra!
Onde bebamos SOCIALmente,
mas possamos, uma vez ao ano,
ser comedidamente anti-sociais,
acobertados pela certeza
de que ninguém comentará o fato.
Com sirenes que soarão quando
a conversa se tornar séria demais,
mas onde ninguém ousará interromper
a declamação súbita
de um soneto de Mallarmé.
De mesas repletas de amigos
mas que, escondida na penumbra, exista num canto
(não visível da rua),
uma mesinha, onde sentaremos sozinhos
em nossos dias de neblina.
E onde nossas especulações metafísicas
não passem de
minuciosos,
inspirados,
categóricos,
e torrenciais
tratados sobre o nada!